13 julho 2012

Dos filhos da crise...

Não gosto de falar da crise! Gosto de fingir que ela não me afecta e que nada pode contra mim! Gosto de pensar que se não usar a palavra crise ela não existe, assim num comportamento um bocado autista!
Mas ontem ao falar com a minha colega de trabalho percebi que somos mesmo filhos da crise! Dizia-me ela que tem 32 anos, que tem uma filha de 4 anos que lhe pede um irmão de presente para a festa dos 5 anos e que não lho pode dar! Pior, não pode admitir para o marido que lho quer dar (o marido também quer)! Que tem medo que lhe cortem os subsídios de natal e de ferias e que sem eles não consegue pagar os seguros e revisão do carro e esses extras! Dizia-me "e se o bebé é doente?", "e se ele precisa de ir muito ao pediatra?", "e não me posso fiar no publico para ser atendida em nada!"...
E eu acho isto triste! Acho que se uma pessoa de classe média quer ter um filho devia poder tê-lo... Como é que se esbanjam rendimentos mínimos e tantas ajudas a quem não quer trabalhar (e se há muitos que não conseguem trabalho também há muitos que não querem) e não se ajudam os jovens para poderem ter filhos!
E querem eles que não haja records de baixa natalidade!

4 comentários:

Sofia Ferreira disse...

É verdade! A vontade de ter um filho não devia ser privada pelo dinheiro!...
E com estas medidas todas, o país vai envelhecer cada vez mais!

Princesa sem Reino disse...

Não é por acaso que somos o segundo país mais envelhecido da OCDE. E pelo andar da carruagem, acredito que não tarda chegaremos ao pódium... A crise é a pescadinha de rabo na boca...

sandra disse...

Eu não posso com o rendimento mínimo sou totalmente a favor que cortem á exceção de alguns casos,andam pessoas a trabalhar tanto e não conseguir juntar nada para essas pessoas andarem aí ao alto nos cafés não é justo :((

Polly disse...

Na semana em que a Helena nasceu tive como maravilho presente do nosso primeiro ministro, o corte dos subsídios! Eu e o meu marido somos funcionários públicos. Estávamos numa semana tão feliz e fomos subitamente abanados pela "nossa" nova realidade financeira. É normal na classe média os subsídios serem usados para pagar pequenos extras, seguros, férias e "poupar".
Escusado dizer que nunca mais ouvi o meu marido dizer que queria ter outro filho passado um ano! Bjs

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