27 julho 2012

Dos avós...

Eu fui uma pessoa abençoada no que toca a avós... Tive 3 avós e 1 avô até há bem pouco tempo... O pai da minha mãe emigrou para Moçambique quando ela tinha 18 meses e pediu a uma prima que cuidasse dela para ajudar a minha avó que ficava sozinha com 4 filhos! Faleceu lá quando a minha mãe tinha apenas 4 anos e a minha mãe foi toda a vida criada longe da mãe biológica (com quem passava apenas as férias)! Teve por isso direito a um pai que acabou por ser o único que conheceu e a duas mães que embora  quisessem ambas a menina só para si acabaram por lhe dar sempre o melhor dos dois mundos... 

E é assim eu tive o privilégio de ter 3 avós mulheres e 1 avô!
Das minhas 3 avós a que realmente foi A avó foi exactamente a que não era biológica e a única que já não está cá! Tenho tantas saudades dela! Deu-me sempre tantos mimos! 
Tenho saudades da comida dela, dos carinhos, de me enrolar (ou tentar) o cabelo liso e escorrido e me vestir um vestido de folhos para irmos lanchar com as velhotas amigas dela! 
Adorava ir ao terço com ela, enquanto todas rezavam na capela do mosteiro eu seguia o terço, cheia de orgulho de poder fazer aquela tarefa! 
A minha avó andava sempre arranjada, com o cabelo tratado, unhas pintadas, pó de arroz e um batom nos lábios! Dava gosto! Defendia que devíamos andar sempre arranjadas e não me deixava andar de fato-de-treino (deve ser por isso que também não deixo mini Ce usar!)...
Era uma velhota com quase 1,70m, cheia de garra e com quem ninguém se metia! Não faltam estórias de  como ela tratava das coisas à sua maneira e como repunha a justiça da forma que lhe parecia melhor! Uma vez, reza a memória da minha mãe, arrancou os galões da farda a um policia (porque não se bate em pessoas fardadas) para lhe poder dar umas lapadas por ele se recusar a assumir um filho de uma moça com quem namorava! Ela era assim, não levava desaforos para casa e com ela ninguém fazia farinha!
Era minha avó e também minha madrinha de baptismo, quando casei não quis madrinha porque me faltava aquela que era a minha madrinha por direito! Tenho tantas saudades... Fiz tantas promessas que no fim não pude cumprir! Ela partiu há quase 7 anos mas estava presa no seu corpo há quase outros tantos com uma doença terrível que não degrada o corpo mas que destrói a mente... Nos últimos anos não sabia quem eu era, o Alzheimer não deixava que se lembrasse de mais nada além do meu avô e das recordações de infância! Mesmo assim sempre que lhe perguntava "quem sou eu avó?" ela respondia com um sorriso "és uma cara linda que me veio ver!"... E é por isto que as minha saudades são tão imensas, porque a avó que conheci já partiu há bem mais do que 7 anos e era essa que eu queria que me tivesse visto terminar o curso (ainda cá estava nessa altura) e casar e ter um filho! Era ela que eu queria como bisavó do meu filho e é ela que não está cá hoje!

O meu avô (o não biológico mas o único que tive) tinha muito mau feitio, sempre controlado pela minha avó! O sonho dele era ter doenças, tomar medicamentos e ser operado, feliz ou infelizmente nunca conseguiu realizar este ultimo sonho! Faleceu com 95 anos, exactamente 9 meses depois da minha avó... Como se tivesse perdido a razão de viver! Cuidou sempre dela como pode, sem nunca compreender a doença mas sempre cheio de saúde! No dia que ela faleceu começou o declínio dele, em poucos meses teve uma doença séria, foi parar ao hospital, de lá já só pode ir para o lar e faleceu pouco depois, num processo galopante que não durou mais que 3 meses!  

Hoje mini Ce tem uma bisavó paterna que sabe melhor o meu nome do que o do neto... Um amor de senhora, que completa 91 anos este ano no mesmo dia que eu completo 5 anos de casada, mas que nunca foi uma boa avó para os netos!
Tem do meu lado mais duas bisavós que gostam dele mas que são daquele tipo frio, que não são como eu sei que a minha outra avó seria... São para ele como sempre foram para mim, gostavam de mim, mas não eram como a outra!
Ele tem ainda todos os avós vivos! E aí sim tem uma sorte imensa... Tem uns avós apaixonadíssimos por ele e que o estragam com mimos... Confesso que só agora entendo o dito de "quem meus filhos ama minha boca adoça", porque me comove imenso o amor e a dedicação com que os meus pais e os meus sogros cuidam do meu filho! Só peço a Deus (ou a quem manda nesta coisa da vida) que conserve os avós de mini Ce por muitos e muitos anos para que ele possa ter tão boas recordações deles como eu tenho da minha avó!

2 comentários:

raquel disse...

Minha querida,
Estou aqui em lágrimas!
Como me comoveste, com as tuas palavras, com aquilo que dizes!
Tenho tantas saudades da minha avó materna... Tenho tanta pena que não me tenha visto acabar o curso (que tanto ansiava), que não tenha conhecido a minha casa, que não tenha visto o meu filho! Sabes que muitas vezes acho que ela acarinha o meu bebé, que o beija e o acalma. Gosto de acreditar nisso, gosto de pensar que ela anda aqui perto de mim.
Tenho saudades dela.
Os meus avós estiveram casados mais de 60 anos. Morreram com uma diferença de 6 meses. Depois de a minha avó falecer em Junho, o meu avô desistiu e foi definhando, a acabou por constipar (?!?) em Dezembro desencadeoou uma pneumonia já no hospital e acabou por falecer. Tenho saudades dele também! Muitas mas de uma forma diferente.
Eu nasci no dia de anos do meu avô, e desde que me lembro de ser gente partilhei os meus festejos com ele, até aquele fatídico ano.

Por isso entendo bem as saudades que sentes. A falta que nos fazem!

Tal como tu, e ainda ontem comentava isso com um amigo, agora é que compreendo tão bem esse ditado e como é tão verdadeiro. Adoro ver os avós do António apaixonados por ele. Adoro ver a dedicação e o amor que lhe entregam... E quero tanto, tanto que eles acoimpanhem a sua caminhada! Cada um no seu papel, cada um com todo o seu amor...

(e cá estou em em lágrimas, novamente!)

Beijo enorme, e desculpa este testamento*

Magui disse...

Qual desculpa, adorei ler-te! E eu também estou aqui com lágrimas nos olhos só de te ler... Ando muito sensível e às vezes acho que só o colo da minha avó é que era capaz de me acalmar!
O facto deles terem morrido tão pouco tempo depois delas é uma coincidência que me arrepia!
Um beijinho enorme e sim, talvez elas estejam mesmo a olhar por nós e pelos nossos meninos!

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