07 maio 2013

Do primeiro filho, dos outros filhos...

Ás vezes dá-me vontade de ter outro filho, depois olho para os valores da minha conta bancária e vejo que não teria como lhe dar de comer, muito menos como lhe pagar o infantário para onde teria de ir mal eu regressasse ao trabalho e passam-me as ideias! Dizem-me que o segundo não gasta dinheiro, que tem tudo do mais velho, mas eu continuo a achar que ele há-de ter que comer e que andar num infantário e que em limite não viverá única e exclusivamente do que lhe sobrou do irmão... Há no meio disto tudo a vontade do pai (que ainda tem uma palavra a dizer no assunto) e que não quer, de todo, mais nenhum filho... Adiante!
Mas penso noutras coisas... Não sei se uma mãe ama o segundo filho como ao primeiro... Quando me imagino com um segundo filho imagino que seria replicar este amor que sinto por mini Ce, sentir o coração a transbordar de amor, mas a dobrar...
Só que depois vejo e oiço as mães falarem do primeiro filho e do segundo... Vejo que as mães têm memória curta (se calhar eu também tenho para já me ter esquecido o terror dos primeiros meses), oiço-as falar do segundo, em como é mil vezes mais terrível que o primeiro... Oiço-as tratar o segundo por "Este"... Oiço-as falar, esquecidinhas do que foi o primeiro... Mas eu lembro-me, eu estava lá, o primeiro foi um terror e quando as relembro disso oiço um "Ah, pois, mas foi só nessa altura!"...
Elas esqueceram o terror do primeiro filho e acham sempre que o primeiro é muito melhor que o segundo! Não quererá isso dizer que aquilo que nos vendem de que "o coração chega para todos", que "o amor se multiplica, não se divide", são tudo tretas?
Será que as mães só têm o segundo filho porque se esqueceram do primeiro e depois canalizam para o segundo os "males" que ser criança/bebé implicam?
Vejo isso por todo o lado! 
O meu sobrinho mais velho que foi um miúdo doce, mas que teve medo de tudo e mais alguma coisa, que só ia ao colo de 3 pessoas, que fazia birras de ficar roxo sem sequer conseguir dizer o que o afligia, que não saía do colo porque tinha medo de folhas e da areia e do mar, que nunca comeu sem ser muito distraído com água ou qualquer coisa do género, agora é descrito pela mãe como tendo sido uma criança adorável que nunca na vida fez birras...
Quando estive no hospital com mini Ce no mesmo quarto que nós estava uma mãe com o filho de 3 anos com os ossos do rosto todo partidos por uma maldade do irmão mais velho e eu só ouvia a mãe chorar pelo filho mais velho que tinha deixado em casa e não deixava o mais novo acusar o irmão do acidente!
Vejo amigas que tiveram filhos maus, miúdos que desde pequenos batiam e faziam maldades mesmo más e agora falam do mais novo como "este" e o mais velho é que foi perfeito...
Vejo a minha chefe falar embevecida do filho mais velho sem nunca dizer nada do mais novo e quando diz nunca é nada de lisonjeador, mesmo que ele seja um rapaz sem nada a apontar-lhe (ela mesmo acaba por o admitir).
Vejo a senhora da limpeza falar-me com os olhos a brilhar da filha mais velha, que descobre maravilhas na internet e de como é fantástica e de nunca abrir a boca para falar da mais nova, sobre a qual não sei absolutamente nada (e tenho um relatório quase diário da vida da mais velha).
Vejo primas que têm filhas mais velhas que aos 3 anos sabiam o alfabeto completo e escrever no computador (coisa que sempre achei sinistra) e agora falam da mais nova encolhendo os ombros com um "esta não tem nada a ver!"...
Será que não é melhor sermos todos filhos únicos? 
Será que devemos arriscar e ter um filho, um segundo, só para "vermos" com os nossos óculos distorcidos, que o primeiro é que era fantástico?  

Nota: Este post é sobre uma visão de mãe, não de irmã... Eu adoro as minhas irmãs e prefiro mil vezes tê-las do que ser sozinha... Mas será que a minha mãe ou as outras mães todas não preferiam (mesmo sem terem consciência disso) ter tido só um filho?

6 comentários:

M.P. disse...

Como sabes, eu sou das que, se pudesse, teria uma equipa de futebol!!:-)) E digo-te, o mais sincera que sei ser, que nem me passa pela cabeça pensar nas coisas dessa forma. Para mim, todos os filhos são uma benção. Todos. Ninguém disse que ter filhos era fácil. Mas, na minha opinião modesta, as recompensas são tão, mas tão maiores que as dificuldades que não consigo sequer hesitar. Os filhos são todos diferentes. Mesmo tendo tido a mesma educação. E sim - normalmente- os primeiros são sempre mais bem comportados e doces, e menos atrevidos e menos traquinas porque os pais, como têm só esse filho, estão sempre em cima deles, preocupados com eles, seguem à risca tudo o que vem nos livros e tudo o que o pediatra diz, e toda educação deles é dada ao pormenor. Os filhos seguintes não têm as atenções dos pais apenas neles. Crescem mais soltos, mais livres, e se calhar por isso são, geralmente, mais traquinas, irrequietos e difíceis de controlar. Quanto ao amor, esse, eu acredito que dá para os filhos todos!...

Anónimo disse...

Oh, Deus, eu sou uma segunda filha..vou já questionar a minha mãe sobre isto! ;). Felizmente, nunca vi a situação nesse prisma nem tomei atenção mas, talvez, nalguma percentagem de mulheres, até será. Por muito que se diga que não há um favorito há, certamente, aquele pelo qual ou a mãe têm mais "empatia" por se identificarem na personalidade, daí à falta de amor por um ou por outro só acho possível numa "mãe" que não merece um segundo filho. Nós queremos ir ao segundo, mesmo que a conta bancária não dê, sequer, para fazer poupanças mas estamos ambos dispostos a abdicar de ainda mais qualquer coisa pela nossa família. O país não estará em crise eternamente e assim que fugirmos de Lisboa (será já este ano!!!!!) o ordenado vai chegar para mais!

Bruxa Mimi disse...

Levanta questões pertinentes... mas eu como mãe de três (e sexta filha de sete) não vejo as coisas minimamente assim. Os meus segundo e terceiro filhos não fizeram exaltar as qualidades fantásticas da primeira - em todos eles reconheço características boas e más. Se calhar o facto de terem uma diferença etária pequena reduziu essa tendência que refere acerca de algumas mães, de esquecer os "males" da primeira criança. Eu só ficaria com um filho único se fosse de todo impossível ter mais.

Princesa sem Reino disse...

Nunca pensei nisso Magui. Porque simplesmente mais filhos não entra na equação. Mas deixou-me a pensar... Um grande beijinho

Ri_GilMata disse...

Querida Magui,
Tenho refletido muito sobre isto que escreveste. Sempre quis ter 3 filhos. Sempre. Mas depois das sensações que ter o E. me suscitou, hoje não penso bem assim. Senti-me assoberbada pelo medo. Sim, foi mesmo pelo medo. Medo que ficasse doente, medo que lhe acontecesse alguma coisa de mal, medo de não conseguir fazer tudo para ele ser feliz, medo de não conseguir proporcionar-lhe tudo o que ele merece. E por muitas vezes disse ao meu marido: vamos ter outro, pelo menos, porque ter irmãos é a melhor coisa do Mundo. E é a prenda maior que posso dar a ambos os filhos: um irmão. Também pergunto muitas vezes a muitas mães se isso do coração replicar por dois é mesmo verdade. É que eu gosto tanto, mas tanto, mas tanto do meu filho que acho impossível gostar mais. Ou gostar igual. Asseguram-me que sim, mas acho que até sentir o meu coração a replicar-se, nunca irei saber :)
E concordo plenamente que há preferidos. Há sempre. Algumas mães disfarçam melhor, porque pode acontecer que o preferido não seja sempre o mesmo filho em todos os campos. Por exemplo, em termos de notas, o preferido pode ser um. Mas em termos de ser arrumadinho ou meigo pode ser outro. Mas acho que lá no fundo, haverá sempre uma identificação com um deles em maior escala.
Posto isto, estou a ganhar coragem para ter outro :) Mas que é preciso coragem, isso é!... Beijos grandes

MamãdoAfonso disse...

Olá Magui!
Tenho que admitir que alguns aspetos que referes aconteceram comigo nos 1ºs meses após o nascimento do mais pequenino. E durante muito tempo senti-me mal por isso... O que mais me marcou foi o facto de não me ter apaixonado arrebatadora/ pelo Henrique assim que o vi, tal como havia acontecido com o Afonso. Acho que vivi tudo mais intensamente com o 1º, mas acho que isso acontece em quase todas as famílias, não achas? Para além disso o A. é uma réplica quase perfeita de mim, em termos físicos e de caráter, quase que consigo adivinhar os comportamentos e reações dele. O H. é a cara do pai e tem uma personalidade muito diferente, é super divertido e extrovertido, muito mimelas mas tb muito engraçado! Adoro mesmo muito ver estas diferenças entre eles, e acho que só me tornei uma verdadeira mãe quando tive o H., apesar do que disse acima. Amo-os aos dois, com as suas diferenças. Muitas vezes penso que o nosso amor pelos filhos vai crescendo todos os dias e que talvez seja normal acharmos incomparável o amor que sentimos por um filho de 3 anos relativamente a um novo filho recém-nascido, e ficarmos com essa sensação estranha, se calhar é um grande disparate... Quem sabe se um dia não virá um terceiro para eu ter a certeza? aaahhhh!!! bjs, Susana Neto

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